quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Chaves

       Não saberia dizer de onde nem quando surgiu essa necessidade humana de chavear-se por todos os lados, sob diversos pretextos. O fato é que cada um de nós poderia valer seu peso em chaves...
         Já repararam quanta chave cada um possui?
         É a do cofre, a da gaveta, do telefone, do carro, da casa, da caixa postal, da moto, do computador, da porteira, da geladeira, da mala, do armário, do gás, da loja, da bicicleta, da adega, da urna, do campanário, da despensa, do galpão, da gaita, do avião, do baú, do navio, do relógio, da luz, da cidade, do coração...
         Houve um tempo em que se pretendeu medir o poder de uma pessoa pelo número de chaves que portava. Nessa época, de tamanho sincretismo funcional, ter a chave significava possuir a resposta. Ter a chave era ter a saída. Resposta de quê? Saída para onde? Dizia-se que o rei reinava mas quem mandava, mesmo, era seu guarda-chaves. Era? Os que conviviam entre gemônias e masmorras sabiam bem que era.
         Na Idade Média, os famosos cintos de castidade, chaveados por todos os lados, batizaram um estilo de vida ainda hoje, plenamente, valorizado. Naquele tempo, os heróicos e ausentes cavaleiros das Cruzadas, entregavam as preciosas chaves a guardadores tão confiáveis quanto eunucos...
         Em pragmatismo sabiamente solenizado pela máxima – “reze mas mantenha o camelo bem amarrado” – varou os séculos para chegar íntegro até nós, pelo bem de todos e satisfação quase geral da nação.
         Atavismo moral não se discute – cumpre-se e seja o que Deus quiser...
         Chave – esse objeto de amor e do ódio, da crença e da dúvida, da satisfação e da frustração, do sim e do não, da ação e da omissão, do bem e do mal, do tudo e do talvez...
         Mas, então, busquemos a origem dessa engenhoca tão cara para nossa humanidade. Quem, afinal, são os inventores ou descobridores de tal prodígio?
         Todos sabemos que a fechadura foi inventada  pelos portugueses. Foi!
         E sobre isso não resta qualquer meia volta de dúvida.
         E a chave? Essa veio tempos depois provocando verdadeiro furor no contexto histórico-existencial da época. Há controvérsias. Alguns dizem que foram os ingleses que, enfim, aperfeiçoaram o ousado invento dos lusitanos. Outros afirmam que a chave foi, realmente, “inventada” por um raivoso e asfixiado batalhão de gregos, a bordo de um imenso, desajeitado e trancafiado cavalo de madeira, na famosa invasão de Tróia.
         Conta-se, até, que a hercúlea tarefa precisou de auxílio dos que estavam do lado de fora. Há crônicas febris da época, relatando a particular dificuldade para destrancar-se a porta do tal cavalo.
         Dizem os detalhistas que nessa oportunidade podem ter surgido, em boa hora, a utilitária chave de fenda e a esnobe chave inglesa.
         A história não entra em pormenores, mas não é difícil deduzir que a própria chave cachimbo foi devidamente usada na ocasião, oportunizando o ato solene de fumá-la, depois do percalço, a fim de consolidar e referenciar a grande paz.
         Guerras à parte, voltemos ao miolo da questão.
         Há chaves para todos os gostos e propósitos. Existem as de braço, as de pernas, as gramaticais, as sistemáticas, as genealógicas, as borboletas, as de boca, as de estrela, as  eletrônicas e tantas outras, de inestimável valia.
         A melhor cena teatral que testemunhei foi aquela do gigante que após arrombar a porta do reduto onde estava a indefesa mocinha, engole a chave com estilo, mastiga  a dita cuja com arte, e lança cúpidos olhares em direção à presa, inapelavelmente perdida. Observem a dimensão dessa atitude, cabalmente irrecorrível!
         Vendo bem, na vida real, tudo é assim – uns fecham e abrem e outros apenas passam, ou jamais passarão...
         O assunto é vasto e merece outros desdobramentos. De minha parte, devo dizer, que estou aqui, atônito, solitário, desamparado, procurando utilidade para uma diminuta chave que não sei onde se encaixará. É uma chave pequena, simples, bronzeada e de pouco peso. É de uma gaveta, descubro com alegria e esperança. O que contém essa gaveta? Dólares? Ações? Jóias? O segredo da eternidade? As respostas da felicidade?...
         Não!
         Dentro da gaveta há mais uma porção de chaves... E só!

domingo, 18 de dezembro de 2011

A Ovelha Ladra...

Na verdade, a ovelha bale, mas são tantos os mistérios entre o céu e a terra que, às vezes, somos obrigados a espichar as fronteiras de nossa vã filosofia.
Para relatar um recente abigeato ocorrido no “povinho das sina-sinas”, arredo o aramado do conhecimento para abrigar o gordo rebanho dos absurdos e dos disparates.
O caso parecia simples na lavratura competente do inspetor de plantão: - Algumas ovelhas maneadas jaziam semi-vivas (ou semi-mortas), no interior de um carro de passeio, em lugar ermo, em hora suspeita.
Os fatos: - O piloto da tal condução e seu comparsa, instados a parar na barreira policial, para meras e habituais averiguações, contraditaram a ordem, acelerando em disparada. A polícia, diante de tamanho desacato, lançou mão de ação extrema, abrindo fogo contra a viatura. Acertou o ombro de um, mas o outro escafedeu-se  perdendo os chinelos. Mais perto, constatou-se a presença de uma dúzia de animais ovinos, mal acomodados, no interior do auto fugitivo. A singela dedução do “quem não deve, não teme”, foi suficiente para admitir-se que era um ilícito, considerando a reação intempestiva dos donos do veículo, diante da blitz policial.
No aprimoramento das investigações, verificou-se que as ovelhas pertenciam a terceiros e que nenhum documento oficial chancelava a legalidade daquele transporte. Abigeato puro e simples – sem dúvida!
Dúvida?...
Uma boa e farta embretada de dúvidas foi o que se seguiu nesse inquérito, quando o advogado esparramou argumentos em defesa dos ocupantes do carro em causa. Somente um era o dono, o outro era apenas um “carona” acidental.
O proprietário do sedã dizia, através de seu verboso defensor, não ter a menor idéia de como aqueles bichos tinham ido parar no interior de seu automóvel. Aproveitava para dizer, inclusive, que tal acontecimento o desgostava, profundamente, não só pela aberração mas, especialmente, pelo incômodo do prejuízo no estofamento e arredores. Sugeria, até, iniciar-se tratativas com vistas a uma procedente ação indenizatória, tão justa quanto justificada.
Quanto ao carona acidental, literalmente  acidentado, uma tropa de boas razões o socorrem, exigindo sua inocência sumária. Visto estava que o atropelo  de circunstâncias inconseqüentes violentou o arranjo e a ordem de sua ilibada volição cidadã, jogando-o no olho de um furacão casual, vitimando-o, lamentavelmente. Enfim, dois anjos pegos a traição pela insânia mundana, justo no imaculado portal dos cânticos etéreos. Que pecado...!
Já os policiais, de agredidos, passaram, milagrosamente, à condição de agressores e agora povoam páginas e páginas com justificativas e explicações. Tentam explicar por que estavam de campana e por que abriram fogo. São obrigados a esclarecer por que a água é mole, o fogo é quente e a roda é redonda.
Explicarão e justificarão, um dia, e tudo ficará bem.
As ovelhas e os proprietários, no entanto, estão em maus pelegos. Terão de buscar, a peso de ouro, verdadeiros gênios jurisprudenciais para safarem-se dessa formidável enrascada patrocinada pelo comportamento pernicioso de uma ovelha, provavelmente azul, que, criminosamente, desencaminhou todo o rebanho. Invasão de propriedade é o mínimo que se deverá imputar à conduta delinqüente dessas marginais de lã.
E os proprietários, então, culposos contumazes, onde estavam e o que faziam quando deveriam prover boa educação e princípios morais ao rebanho rebelde?... Onde já se viu invadir, assim graciosamente, propriedade alheia como se este rincão fosse terra sem lei?...
Reponha-se a ordem e a legalidade, enquanto é tempo, em nome da justiça, da paz e da liberdade. Tudo pela dignidade de nossas instituições!...
Diante do relato – na crueza dos fatos – questiono: - A ovelha ladra, ladra ou não ladra? Hein?...
Os fenômenos estão aí para quem deles quiser tirar bom partido, até em nome da sempre saudável cultura geral. O saber e o conhecer não ocupam lugar. Acreditar, confiar, compreender, explicar, produzir, policiar e justificar sim, são verbos que sempre enchem os espaços. E como enchem...!
Daqui onde estou, antes que o século acabe de balde, dá bem para ouvir o balido dos cães, o ladrar dos gatos e o miado dos burros, enquanto a caravana passa, garbosa, pelo umbral rotundo dos milênios pardos...
Até quando?...
Quosque tandem, Catilina?...!

quarta-feira, 30 de novembro de 2011


POBRE-RIO – POBRERIU...

Confesso que ainda não sei com quantos paus se faz uma canoa...
Mas, se soubesse, não saberia remá-la em nosso rio Santa Maria.
E quem saberia sem utilizar os fartos recursos virtuais, singrando mapas e velejando sonhos?...?
Verdade seja dita: - o rio continua dizendo presente na sessão da cartografia oficial. E mais – o rio é real no imenso vale verde de nossa geografia sentimental...
Serpentiforme, corre, solto e limpo, páginas a dentro de uma história que ainda não exauriu nossa alma! E só...
Porém lá, onde o sabiá o cantava, a coronilha o sombreava e o pintado o deliciava, não está mais.
Lá onde o barqueiro remava; o Zé do Caniço saciava sua fome; a Maria das Trouxas lavava sua roupa; o João da Carroça colhia sua areia; a Madalena dos Trapos juntava seus gravetos; o Pedro dos Calções mergulhava suas doces mágoas; a Ana dos Brincos navegava seus caprichos e o Paulinho do Bodoque se lambuzava de pitangas, não está mais.
Cadê o rio??
Lá onde estava e sempre deveria estar, não está mais...
Onde está?...?
Será que correu todo para o mar?? Para o mar da Internet?...
Será que, aterrorizado, recolheu-se às nascentes, a espera de um tempo de paz e sanidade?? Será?...?
É possível que, envergonhado com sua inutilidade tenha se enterrado, definitivamente, na moderna consciência do “obsoletismo programado”... É muito provável que, envelhecido na rotina das águas e das mágoas, tenha se asilado nas têmporas do vento. É deduzível que o aluvião dos desenganos tenha arrasado a derradeira fortificação de seu amor próprio.
Conjecturas...!
Cadê o rio??...
Será que fugiu para a longínqua pátria do nada?? E será que isso é tudo?? Será?...? Pobre rio – pobrerio – pobreriu...!


terça-feira, 22 de novembro de 2011

Greve l

Greve l
Nos últimos dez anos, só o setor público faz greve, no Brasil.
A greve, como sabemos, é recurso extremo, quando todos os outros expedientes não logram êxito.
O que estará faltando? Ou sobrando?

Greve ll
As pessoas grevistas, se incomodam bastante. Mas se a causa é nobre, valerá a pena. O fato é que quem cruza os braços, se expõe e se chateia. Quando os pleitos são atendidos tudo volta ao normal e uma sensação de vitória povoa os corações heróicos.
Atendimento aos pedidos é a compensação dos que lutam e se estressam.
E os que usufruem os benefícios oriundos das greves e ficam, bem quietinhos, sem aderirem, distantes do embate? Não seria mais correto recusarem, publicamente, tais benefícios?

Greve lll
A greve que está faltando é a dos contribuintes. Essa, de fato, se um dia ocorrer, vai agitar a República.
Já pensaram se os contribuintes cruzarem os braços e deixarem de pagar impostos?
Será o caos... para os Governos!

Secreto
É sempre útil informar aos candidatos em geral, que o voto continua “secreto”.
Então não se entusiasmem aqueles que andam por aí recebendo promessas de votos e tapinhas nas costas...
Já vi muita gente boa gabar o burro antes de cruzar o banhado...
Cuidado!

Oposição
Nas democracias a posição mais cômoda sempre foi e será a da oposição. Fiscalizar e criticar, tanto quanto moderadamente necessárias; são iniciativas relativamente fáceis e confortáveis, pois tudo estará ao nível do verbo e do discurso. E só!
Ver erros e recomendar remédios é barbada quando não se tem a obrigação público – jurídica de fazer ou impedir que se faça.
Só quem “executa” tem o ônus de correr o risco. Quem só observa não corre risco algum.
Acho que as democracias, em busca de aperfeiçoamento, deveriam sistematizar uma alternancia compulsória de poder:       - Quem hoje se opõe amanhã será poder executivo e amargará  as estocadas da crítica e as fustigadas da fiscalização.
Só assim fugiríamos do denominado “eleitoralismo”que, nada de bom realiza pela comunidade. Fugiríamos? Você decide!


Ingratidão
Tenho imensa dificuldade de confiar em pessoas ingratas.
O ingrato é sempre egoísta e o egoísta não é fiel nem a si próprio.
Como confiar em pessoas com esse perfil?

Lei
O piso salarial do magistério público é lei. Insofismável e incontestável.
É preciso crumpri-la, sem reparos ou críticas.
O cidadão comum é constrangido a cumprir a lei, custe o que custar.
Mas o “poder público” tem a benesse do “quando puder”... Está justo isso?


quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Como seria?

Como seria?
Continuo filiado ao grupo que lamenta e condena regimes políticos autoritários, arbitrários e por conseguinte, anti-democráticos. No meu ponto de vista as ditaduras são rigorosamente condenáveis em qualquer tempo, sob qualquer pretexto, venham de onde vierem.

Na esteira de tais recriminações vem a ojeriza especial a “abusos” dos ditos regimes de exceção: supressão de garantias e direitos individuais; invasão de privacidade; constrangimentos de toda ordem, censura a livre manifestação do pensamento; restrições artístico- culturais, enfim, tudo o que de fato representa um regime ditatorial.Condenável!

Na história brasileira temos, infelizmente, o registro de situações que, na essência e na forma, se identificam com o malfadado regime autoritário.
O Estado Novo, por exemplo, sob a batuta de Getulio Vargas patrocinou momentos de agonia e de desespero ao povo brasileiro. Mas, inexplicavelmente, disso poucos lembram.
Bem lembrados são os denominados “anos de chumbo” chancelados pela “revolução de 64” ou “golpe de 1º de abril”.

E aí são pródigos e  intermináveis os discursos, relatórios, declarações e depoimentos, a respeito dos fatos. Tudo lautamente contado e cantado em verso e prosa. De um lado os que explicam e justificam o “movimento”, de outro os que o condenam sem apelação.

Dizem os historiadores de ofício -  os imparciais e portanto confiáveis – que  a “revolução ou golpe de 64” foi a imperiosidade da “direita” sobre a “esquerda”; foi a prevalência de uma ala do mundo sobre a outra, identificando a liderança norte-americana de um lado e a força soviética de outro, na encenação ininterrupta e cheia de truques da denominada “guerra fria”!
O anti-comunismo foi a bandeira do “movimento de 64” e, sem contestação, essa foi a grande motivação do levante. Pelo menos esse foi o argumento público que teve na oportunidade a anuência da maioria do povo brasileiro.

Depois o “movimento” teve suas fases de desvirtuamento como todo e qualquer “movimento” que se oriente pela exceção. Contabilizou realizações e decepções; teve adeptos e contestadores; venceu em algumas iniciativas e perdeu em muitas quando, intempestivamente, avançou sobre o sagrado terreno da liberdade das pessoas.

No balanço geral sempre fica a indagação: - considerando as circunstancias histórico: – existênciais daquele momento brasileiro teria sido possível produzir outra resolução? Ou teremos que metabolizar, necessáriamente, tudo o que aconteceu, sob o indefectível argumento social, como em todas as culturas, entendido como o indecifrável “mal necessário”?
Pensar  sobre o tema é fonte inesgotável de aprimoramento intelectual, sem dúvida.

O senso crítico dos brasileiros de bem, distante da raiva obscurantista, nunca perdeu o referencial da verdade, e sempre soube, sabe e saberá reconhecer o que foi útil nesse período, assim como jamais vai esmorecer na implacável condenação aos erros e abusos cometidos nesse tempo de arbitrariedades.

Com a mesma independência intelectual, por pura curiosidade, esses mesmos brasileiros de bem, com afinado senso critico gostariam de saber como teria sido se o outro lado tivesse vencido(?)

O outro lado tinha como modelos a União Sovietica, a China, Cuba, Albania e outros. Países que na época eram públicamente adeptos do chamado Estado Totalitário. A União Sovietica ruiu, a China trocou de trilho, a Albania sucumbiu e Cuba continua sem dar a menor chance a oposição.
Como seria se esse bloco fosse o vencedor naquela longíngua rêfrega de 64?
Como seria? Será que as liberadades individuais seriam respeitadas?
E as instituições democráticas conservariam sua integridade?
Como seria? Perguntar enriquece a consciencia...
Responder mais ainda!

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Código Flrorestal I

Código Florestal I
        A lei  preconizada pelos raivosos, pelos ignorantes e pelos safados será mais uma para não funcionar.
        Valerá apenas como moeda de troca para falcatruas em manobras de poder:- um reino de dificuldades para mercantilizar facilidades.
Exagero quando digo que não funcionará!
Funcionará sim nas maquetes e nos gabinetes político- eleitorais...! E só?

Código Florestal 2
Uma lei que inclui a raposinha em detrimento do boizinho não pode ser séria no contexto das premências do pão nosso de cada dia.

Dizem alguns “burocrataços”, inocentes úteis a serviço dos empedernidos de sempre, que o boi é um animal definitivamente poluidor- e nem água se deve franquear a esse bandidão do meio ambiente. Pausa para risos...

Código Florestal 3
Quem não vê que essa “ manobracracia” só abriga interesses ideológico-economicos a favor da conquista ou da manutenção do poder? Pouco tem de preservacionista,  e ambientalista. Que o povo julgue- se for capaz. Nova pausa para apupos, aplausos e ... mais risos.

Horàrio de verão
Não sei se economizará energia elétrica(?)
Mas que vai compatibilizar horários em transmissões de eventos esportivos fora do País- ah isso vai!
Será que tudo isso é apenas uma inocente coicidencia(?)- ou será que têm mãos espertas agarrando esse timão?
O que você acha?

Saneamento 1
Está visto que a Corsan tentará evitar de todas as formas o processo de licitação para nova etapa em serviço de fornecimento de água e esgoto em Dom Pedrito.
E não há nada de imoral ou ilícito nisso.
Mas acho que se a Prefeitura  tem a prerrogativa( garantida por lei federal) de ouvir propostas e eleger a melhor para os legítimos interesses da comunidade, deve fazê-lo, sem pestanejar.  Sem culpas.

Saneamento 2
Se aceitar de cara as propostas da Corsan não terá oportunidade de ouvir outras. Será de bom alvitre oportunizar o surgimento de outras propostas- Venham de onde vierem.

Saneamento 3
Particularmente penso que a Corsan tem condições de suplantar qualquer proposta e vai fazê-lo desde que provocada. Faça-se a licitação:- isso será melhor para todos.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Para refletir

Penso que metade dos problemas que afligem nossa organização político-eleitoral deve-se aos caprichos do “Sistema”. A outra, metade deve-se, suponho, a sorte – ou a falta dela...
O Sistema é o produto da vontade soberana de uma elite que zela, incansavelmente, por seus próprios interesses. E recorre a conteúdos científicos e a conectividades técnicas para vestir-se de razão e paixão em prol das conveniências, das vantagens e dos desideratos  que perpetuam os semelhantes no Poder.
O Sistema alimenta-se de suas próprias vísceras em um acordo oficial de perenidade.
Quer e sabe que sua continuidade só depende de si mesmo. O Sistema é a suprema consagração da mesma coisa sempre.
Como quebrar essa hegemonia? De que maneira conseguiremos interromper esse ciclo? Pela legalidade? – Impossível pois tudo o que o Sistema faz ou autoriza está plenamente legal ou foi estrategicamente legalizado.
E será quixotesco imaginar que dessa substância (status - quo político – administrativo) explodam químicas capazes de modificar, essencialmente, a situação.
O que há são movimentos de cena, mudanças formais, ajustes processuais que só ajudam a rejuvenescer o esquema de sempre.
Revolução? – Onde? Quando? Com quem?
O povo tem a senha para revolucionar?
Saberá clicar nos ícones certos? Sabe o que, de fato, quer detonar? E depois, faz idéia do que colocar no espaço detonado?
Questões...  muitas questões...
Mas há tempo para pensar, escolher, arregimentar e promover a queda da bastilha... Há?
De minha parte – admito que sou um radical desesperançado: - não espero que as coisas se modifiquem, na essência, por via institucional. Da mesma forma não acredito que o tecido social esteja de tal forma coeso, harmônico e resistente capaz de promover o levante para as reformas urgentes necessárias.
Feliz ou infelizmente não temos esse perfil. E o radicalismo de alguns atinge tal escala que quando dizem que: “fulano se elegeu e se corrompeu” – corrigem: - “fulano é corrupto porque se elegeu”... Por que?
Porque confirmou e promoveu o Sistema!
E todos sabemos que pelas regras consagradas nesse Sistema é impossível chegar lá (no Poder) sem vender, trocar, barganhar, negociar, iludir, corromper e corromper-se.
Não é assim? Prove se for possível. Sustente se for capaz.
E a sorte? Bem essa está por conta do aleatório na imensa república do cassino Brasil – a verdadeira esperança que nos faz sorrir neste grande picadeiro.
E viva o circo! ...